20 de agosto de 2025

Tecnologia a favor da saúde mental: os impactos da NR1 no ambiente corporativo 

 

Como a transformação digital está ajudando empresas a atender impactos da NR1, com foco especial na saúde mental dos colaboradores. 

O expediente pode acabar no relógio, mas para muitos profissionais ele segue ativo no celular, no e-mail, nas mensagens e nos pensamentos. Em um mundo cada vez mais conectado, a linha entre trabalho e vida pessoal se tornou tênue. A tecnologia, que prometia liberdade e produtividade, também trouxe um cenário de sobrecarga, ansiedade e distúrbios emocionais. Mas será que ela é mesmo a vilã dessa história e dos impactos da NR1? 

A resposta é: depende de como se usa. Hoje, ferramentas digitais e Inteligência Artificial já são aliadas poderosas na promoção da saúde mental no ambiente corporativo — especialmente com as exigências mais recentes da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a incluir os riscos psicossociais, como o estresse e o burnout, entre as prioridades das empresas. 

Para entender melhor, Fernando Luiz, Diretor Comercial da Witec IT Solutions explica que a Norma Regulamentadora nº 1 (NR1), atualizada nos últimos anos, trouxe novos desafios e responsabilidades às empresas no que diz respeito à gestão da saúde e segurança no ambiente de trabalho.  

Entre os pontos de atenção, a saúde mental dos colaboradores ganhou protagonismo — refletindo as novas demandas de um mundo corporativo mais conectado, acelerado e remoto. Diante desse cenário, a tecnologia surge como uma alternativa inteligente para transformar diretrizes legais em ações concretas de promoção do bem-estar. 

Ele complementa que “a tecnologia, se bem usada, pode promover ambientes psicologicamente seguros e saudáveis. Mas ainda é subutilizada pelas empresas por desconhecimento ou resistência à mudança”. 

Mas qual os impactos da NR-1? 

 
A NR1 define os princípios fundamentais para o gerenciamento de riscos ocupacionais, incluindo a obrigatoriedade da elaboração do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Desde sua revisão, passou a contemplar fatores psicossociais como parte do escopo de riscos a serem identificados e mitigados. Assim, empresas vêm incorporando medidas voltadas à saúde emocional dos colaboradores, como programas de apoio psicológico, ações de engajamento e monitoramento contínuo da carga de trabalho. 

Nesse contexto, a tecnologia ganha protagonismo ao permitir mapear, prever e melhorar esses aspectos e adequar as empresas aos impactos do NR1. “As empresas precisam se adequar a uma nova tecnologia, e no âmbito da saúde e medicina do trabalho, todas as ações devem estar alinhadas com as regulamentações e devem ser registradas para casos de fiscalizações”, explica Tatiana Gonçalves, sócia da Moema Medicina do Trabalho. 

Ferramentas do dia a dia, como as do pacote Microsoft 365, podem parecer simples à primeira vista, mas escondem grandes oportunidades.  

O Microsoft Viva Insights, por exemplo, identifica padrões de sobrecarga e sugere pausas e momentos de foco ao longo do dia. O Teams permite silenciar notificações fora do expediente e criar rotinas mais saudáveis de comunicação. Já o MyAnalytics oferece uma visão clara de como o tempo está sendo gasto: quanto dele é usado em reuniões, quanto é realmente produtivo.  Além disso, soluções como o Planner e o To Do ajudam a organizar tarefas e reduzir a sensação de caos, que tanto impacta a mente dos colaboradores. 

Na prática, grandes empresas já vêm aplicando essas soluções com resultados positivos. A Unilever, por exemplo, adotou o Viva Insights para entender padrões de trabalho prejudiciais e ajustar rotinas. A Accenture apostou no Viva Learning para oferecer treinamentos sobre saúde mental, como mindfulness e técnicas de relaxamento. A Deloitte e a própria Microsoft têm usado o Viva Engage para criar espaços virtuais de troca entre colaboradores, onde temas relacionados à saúde emocional são discutidos abertamente, fortalecendo o senso de comunidade e apoio mútuo. 

A Inteligência Artificial também tem ganhado espaço na identificação e prevenção de riscos psicossociais. Startups como a Fiter desenvolveram sistemas que automatizam o mapeamento de riscos psicológicos por cargo e sugerem planos de ação personalizados. Já plataformas como o SOC utilizam IA para cruzar dados e identificar indícios de estresse, absenteísmo e problemas recorrentes que exigem atenção da gestão. Há ainda soluções com sensores ambientais e dispositivos de monitoramento em tempo real, além de aplicativos de meditação, psicoterapia online e até simulações em realidade virtual que ajudam a treinar resiliência emocional. 

Assim, a IA já está sendo usada para: 

  • Mapear riscos psicológicos por cargo ou setor (como faz a startup Fiter); 
  • Cruzar dados de saúde e produtividade para identificar padrões de estresse ou absenteísmo (caso da plataforma SOC); 
  • Integrar sensores e aplicativos para monitoramento em tempo real, meditação guiada, terapia online e até simulações de realidade virtual para desenvolver resiliência emocional. 

E os resultados têm sido comprovados. Um estudo do Gympass revelou que 90% das empresas que investem em programas de bem-estar e os monitoram perceberam retorno positivo. Outro levantamento do Wellhub mostrou que quase todas as empresas que adotaram esse tipo de tecnologia relataram aumento do engajamento e redução de custos com saúde. Métricas como o ROI (retorno sobre investimento) e o VOI (valor sobre investimento) ajudam a medir não só os ganhos financeiros, mas também a melhora do clima organizacional, a retenção de talentos e o engajamento das equipes. 

A implementação dessas ferramentas exige planejamento. Não basta instalar um software: é preciso avaliar as necessidades reais da organização, treinar os times e garantir um suporte contínuo. Os principais desafios ainda são a resistência à mudança e a integração com processos existentes. Além disso, é essencial garantir a privacidade dos colaboradores, principalmente quando se trata de dados relacionados à saúde mental. 

Apesar disso, os benefícios são evidentes. Aumenta-se a produtividade, melhora-se o clima e reduz-se a rotatividade. Para Fernando Luiz, “as empresas que começarem agora estarão mais preparadas para o futuro do trabalho — que é, acima de tudo, humano e sustentável”. 

Os impactos da NR1 vieram reforçar um compromisso que vai além do cumprimento legal: cuidar da saúde integral dos trabalhadores. A tecnologia, quando bem aplicada, não apenas facilita esse processo, mas transforma a cultura organizacional. A busca por ambientes corporativos mais humanos, sustentáveis e inteligentes é um caminho sem volta — e felizmente, cada vez mais apoiado por soluções digitais.