19 de fevereiro de 2026
Qualidade de vida no trabalho supera salário e redefine prioridades dos profissionais em 2025
A qualidade de vida no trabalho se tornou o principal fator de decisão profissional em 2025, superando o salário como prioridade. A mudança foi confirmada pela pesquisa Randstad Workmonitor 2025, da Randstad, realizada em 34 países, que aponta que 83% dos trabalhadores valorizam mais o equilíbrio entre vida pessoal e profissional do que a remuneração.
O dado marca uma virada histórica no mercado corporativo e exige das empresas uma revisão profunda de cultura, gestão e políticas internas.
“A pandemia acelerou uma reflexão coletiva sobre como usamos nosso tempo. O trabalhador brasileiro passou a perceber que produtividade não está atrelada apenas ao escritório, mas a condições que promovam equilíbrio. O desafio das empresas agora é transformar discurso em prática”, analisa Mari Viana, fundadora da Gestão Consciente e especialista em recursos humanos.
Qualidade de vida no trabalho: o novo critério para trocar de emprego
Durante décadas, o reajuste salarial era o principal argumento para retenção e atração de talentos. Esse modelo perdeu força.
No Brasil, a valorização da flexibilidade está acima da média global. A realidade dos grandes centros, marcada por longos deslocamentos e dificuldades de conciliar carreira e família, impulsiona essa transformação.
Segundo a Sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividades, o home office reduziu em até 25% o tempo médio gasto em deslocamentos, gerando impacto direto na qualidade de vida e na produtividade.
“Hoje, o que retém talentos é a soma entre processos estruturados, indicadores claros de desenvolvimento, reconhecimento e coerência entre valores organizacionais e pessoais”, reforça Mari.
Gerações têm expectativas diferentes sobre qualidade de vida no trabalho
A busca por equilíbrio é comum, mas assume formatos distintos conforme a geração:
Geração Y e Geração Z
Buscam flexibilidade, diversidade, propósito e gestão transparente. São menos tolerantes a ambientes rígidos e hierárquicos.
Geração X
Valoriza estabilidade, mas exige autonomia e reconhecimento para crescimento profissional.
Baby Boomers
Priorizam segurança, reconhecimento e oportunidades de mentoria.
Para a especialista, a resposta está na personalização da experiência do colaborador. “Não existe mais modelo único. É preciso oferecer trilhas de desenvolvimento diferentes e benefícios flexíveis, alinhados às metas estratégicas da empresa.”
Liderança empática aumenta produtividade e reduz turnover
A liderança baseada em comando e controle perdeu espaço para a liderança empática. Dados da Gallup mostram que equipes lideradas por gestores empáticos são 21% mais produtivas e apresentam 27% menos absenteísmo. O estudo também revela que 58% dos profissionais pedem demissão por causa da má gestão.
“O líder empático pratica escuta ativa, fornece feedback construtivo e cria segurança psicológica. Esse modelo não é mais diferencial competitivo, é requisito básico”, afirma Mari.
RH estratégico: investimento em bem-estar reduz custos
O setor de Recursos Humanos passou a ocupar posição estratégica nas organizações. Além de recrutamento e seleção, precisa monitorar engajamento, saúde mental e clima organizacional.
Entre as práticas mais adotadas estão:
- Programas estruturados de saúde mental
- Benefícios flexíveis, como apoio educacional
- Pesquisas de clima com plano de ação
- Métricas de engajamento como eNPS
Segundo especialistas, o custo de substituição de um colaborador pode chegar a 200% do salário anual. Investir em qualidade de vida no trabalho reduz rotatividade e aumenta competitividade.
Empresas que ignoram essa mudança podem perder relevância
Organizações que resistirem à nova lógica do mercado enfrentam riscos concretos:
- Turnover elevado
- Queda de produtividade
- Danos à marca empregadora
- Perda de talentos estratégicos
- Defasagem de competências
“Acreditar que essa mudança é passageira é um erro estratégico. A qualidade de vida no trabalho deixou de ser tendência e se tornou critério decisivo”, alerta Mari.
O futuro do trabalho é hiperpersonalizado
O próximo passo do mercado é a hiperpersonalização da jornada profissional. Benefícios sob demanda, trilhas de carreira individualizadas e uso de inteligência artificial para mapear habilidades já começam a ganhar espaço.
“Falamos de modelos de carreira não lineares e líderes que atuam como facilitadores do crescimento individual. O sucesso organizacional continuará sendo medido por números, mas sustentado pelo engajamento das pessoas”, conclui a especialista.
Conecta Líder fortalece liderança e saúde mental na Confirp
Um exemplo prático dessa transformação é o programa Conecta Líder, da Confirp Contabilidade. A iniciativa integra desenvolvimento comportamental e prevenção de riscos organizacionais, preparando líderes para gerir equipes com foco em saúde mental e clima positivo.
Daniela Barchi, Coordenadora de DHO da empresa, explica que o objetivo é capacitar gestores para atuação preventiva e estratégica. “Líderes preparados geram engajamento, promovem ambiente saudável e impactam diretamente os resultados sustentáveis.”
Destaques do programa
- Mentoria em quatro encontros com foco em autoconhecimento, inteligência emocional, feedback e comunicação assertiva
- Prevenção de assédio e elaboração de plano de ação
- Alinhamento à NR 1
- Desenvolvimento técnico e comportamental integrado