18 de junho de 2026
Uso sem critério da inteligência artificial preocupa especialistas em marketing
A popularização da inteligência artificial transformou a forma como empresas produzem conteúdos, campanhas e estratégias de comunicação. Ferramentas capazes de criar textos, imagens, vídeos e planejamentos em poucos segundos passaram a fazer parte da rotina de profissionais de marketing em todo o mundo. No entanto, o uso indiscriminado desses recursos tem acendido um sinal de alerta entre especialistas do setor.
Segundo Rogério Passos, CEO da Link3 Marketing Digital, especialista em marketing e comunicação, o principal problema não está na tecnologia em si, mas na forma como ela vem sendo utilizada por parte dos profissionais. “A inteligência artificial é uma ferramenta incrível, mas temos observado um movimento que está deixando muita gente preocupada. Muitos profissionais estão utilizando essas ferramentas sem ler o que foi gerado, sem revisar, sem adaptar o conteúdo à realidade do negócio ou dos clientes. Simplesmente copiam, colam e entregam”, afirma.
De acordo com ele, a prática tem resultado em conteúdos genéricos, informações equivocadas e materiais desalinhados com a identidade das marcas. “Em muitos casos, o conteúdo apresenta informações incorretas ou está completamente fora do contexto da empresa. A identidade da marca acaba sendo prejudicada e, ao invés de construir valor, a comunicação passa a desconstruir a reputação do negócio”, explica.
O especialista destaca que a inteligência artificial deve ser encarada como uma ferramenta de apoio, capaz de acelerar processos e aumentar a produtividade, mas jamais substituir o pensamento crítico e a análise profissional.
“O problema não é a IA. O problema é acreditar que ela pode substituir o olhar crítico. Ela acelera etapas, facilita processos e ajuda muito na rotina, mas ainda exige interpretação, revisão e análise. É preciso ter um profissional avaliando tudo o que está sendo produzido”, ressalta.
Passos afirma que a própria equipe utiliza inteligência artificial diariamente, porém sempre associada à supervisão humana. “Aqui usamos IA o tempo todo, mas sempre com análise. Existe um profissional responsável por revisar, validar e adaptar cada conteúdo. A tecnologia ajuda a ganhar velocidade, mas a qualidade continua dependendo das pessoas”, diz.
A falta desse cuidado já tem gerado reflexos no mercado. Segundo o especialista, diversas empresas têm procurado apoio após experiências frustradas com conteúdos produzidos exclusivamente por inteligência artificial.
“Boa parte dos clientes que chegam até nós vem justamente de experiências ruins. Receberam conteúdos errados, fora de contexto ou que simplesmente não geraram resultado. Isso mostra que velocidade e qualidade são coisas diferentes”, observa.
Para ele, o mercado tende a amadurecer rapidamente e valorizar quem souber utilizar a tecnologia de forma estratégica. “Hoje qualquer pessoa consegue acessar uma ferramenta de IA, inserir um comando e criar um texto em poucos segundos. Mas a grande questão é: isso realmente gera valor? Quem souber combinar a velocidade da tecnologia com conhecimento, análise e estratégia terá uma vantagem competitiva enorme nos próximos anos”, conclui Rogério Passos.