1 de julho de 2026
SXSW e o futuro dos negócios: tecnologia, IA e comunidades no centro da transformação
A edição de 2026 do SXSW consolidou uma mudança importante no debate sobre inovação: a inteligência artificial deixou de ser tendência para se tornar infraestrutura. Mais do que discutir possibilidades futuras, o evento mostrou que as empresas precisam tomar decisões imediatas sobre como incorporar essa tecnologia aos seus modelos de negócio.
Para Marco Lagoa, cofundador da Witec IT Solutions, o evento marcou uma nova etapa da transformação digital. “O SXSW marcou uma virada clara: acabou a fase do deslumbramento com a IA. Ela deixou de ser promessa e passou a ser infraestrutura invisível da economia, da cultura e do trabalho”, afirma.
Segundo Marco Lagoa, a discussão deixou de ser se as empresas devem usar inteligência artificial e passou a ser como estruturar operações, processos e decisões a partir dela. “As conversas foram muito mais sobre adoção real, arquitetura de negócios e impacto humano do que sobre tecnologia em si”, explica.
Nesse cenário, a IA passa a atuar como sistema operacional das organizações, conectando dados, automação e relacionamento. “O valor econômico está migrando de produtos para ecossistemas inteligentes, que combinam dados, IA e relacionamento contínuo”, destaca.
O fortalecimento das comunidades
Ao mesmo tempo, o SXSW evidenciou o fortalecimento das comunidades como diferencial competitivo. Em meio à saturação das plataformas digitais, cresce a busca por conexões mais autênticas e baseadas em confiança. “O retorno das comunidades é uma resposta à fadiga algorítmica. As pessoas querem pertencimento, não apenas audiência”, afirma Lagoa.
Para ele, as comunidades se tornaram ativos estratégicos para as empresas. “Uma comunidade, além de ser uma audiência, é também uma infraestrutura social, capaz de reduzir o custo de aquisição, aumentar o valor do cliente e gerar inteligência coletiva para o negócio.”
Integração entre tecnologia e humanidade
Apesar do avanço acelerado da tecnologia, Lagoa ressalta que o momento atual representa uma fase mais madura de integração da IA, e não um cenário pós-inteligência artificial.
“A IA não é mais uma funcionalidade, ela passou a ser o ambiente onde os negócios acontecem, e a discussão agora é o que permanece essencialmente humano”, explica.
Nesse contexto, criatividade, empatia, liderança e capacidade de relacionamento tornam-se ainda mais relevantes. Para pequenas e médias empresas, a proximidade com o cliente pode ser uma vantagem decisiva. “Quem tentar competir em escala com grandes empresas tende a perder. Mas quem competir em proximidade, contexto e confiança, ganha”, afirma Lagoa.
O que as empresas precisam fazer agora
Entre as oportunidades mais imediatas estão a automação de tarefas rotineiras, a criação de comunidades estratégicas e o fortalecimento do relacionamento direto com clientes e parceiros.
“A IA assume o operacional enquanto os humanos passam a focar no estratégico, no emocional e no que é essencialmente relacional”, resume. Para o executivo, a principal lição do SXSW é clara: “2026 não pergunta mais quem usa IA, mas quem consegue integrar tecnologia e humanidade de forma que faça sentido para o negócio”.
O desafio, portanto, deixou de ser apenas tecnológico. As empresas que conseguirem equilibrar eficiência, relacionamento e propósito estarão mais preparadas para competir em uma economia cada vez mais orientada por inteligência artificial.
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