31 de julho de 2026
Crise nas contratações expõe falhas de gestão e eleva custos nas empresas
Em um cenário ainda pressionado no primeiro trimestre de 2026, com escassez de profissionais qualificados em áreas estratégicas e aumento da rotatividade, cresce entre executivos a percepção de que o problema das contratações vai além do mercado de trabalho.
“Não é por falta de candidato, é por falta de estratégia. A crise nas contratações é, na prática, uma crise de gestão”, afirma Mari Viana, especialista em liderança da Gestão Consciente.
Segundo ela, o erro começa antes mesmo do processo seletivo. Muitas empresas ainda operam com descrições genéricas, entrevistas sem critérios e decisões baseadas em afinidade. “O erro clássico é contratar no desespero e demitir no arrependimento”, diz Mari Viana. Nesse modelo, o foco excessivo na experiência técnica ignora fatores comportamentais. “Competência sem aderência cultural é um problema com prazo para aparecer”, completa.
Onde as empresas mais erram
Os principais erros seguem um padrão recorrente:
- Falta de clareza sobre o que a vaga exige
- Descrições genéricas e desalinhadas com a realidade
- Entrevistas sem critérios objetivos
- Decisões baseadas em afinidade pessoal
- Foco excessivo em experiência e pouco em comportamento
Para Mari Viana, a raiz do problema está na definição incorreta do perfil. “Perfil não é lista de tarefas. Ele precisa partir das entregas esperadas”, explica. Um modelo mais eficaz considera:
- Resultado esperado: o que precisa ser entregue
- Competência técnica: como o trabalho será executado
- Comportamento: como a pessoa se posiciona
- Contexto: ambiente, cultura e dinâmica do time
“A mesma pessoa pode ter alta performance em uma empresa e fracassar em outra”, afirma.
Cultura pesa mais do que experiência?
O equilíbrio é importante, mas o desalinhamento cultural costuma gerar impactos mais profundos. “Experiência se adapta. Comportamento, muito menos”, diz Mari Viana. Ignorar cultura organizacional transfere o problema para a liderança, que passa a lidar com conflitos, baixa performance e desengajamento.
Os efeitos aparecem rapidamente:
- Alta rotatividade nos primeiros meses
- Baixo desempenho no período de experiência
- Recontratações frequentes
- Desalinhamento entre expectativa e realidade
- Tempo elevado para atingir performance
“Quando o líder vira apagador de incêndio, o problema começou na contratação”, afirma Mari Viana. Uma contratação equivocada impacta diretamente o resultado. “Não é só rescisão. Existe perda de produtividade, tempo da liderança e impacto no cliente”, explica. O custo pode chegar a até 12 vezes o salário da posição, dependendo da complexidade e senioridade.
Liderança: o fator que define retenção
Se a contratação abre a porta, é a liderança que define a permanência. “As pessoas não saem das empresas, saem dos líderes”, afirma Mari Viana. Entre os principais problemas estão:
- Falta de clareza e direcionamento
- Comunicação ineficiente
- Ausência de reconhecimento
- Microgestão
Por outro lado, líderes preparados elevam retenção e desempenho. “Quando há direção, autonomia e feedback, o colaborador permanece e performa melhor”, diz.
Empresas com turnover elevado enfrentam um problema estrutural. “Rotatividade alta é sintoma, não causa”, afirma Mari Viana. “Ações pontuais não resolvem. É preciso um diagnóstico estruturado”, completa. Nesses casos, é necessário atuar em:
- Cultura organizacional
- Modelo de gestão
- Proposta de valor ao colaborador
- Qualidade da liderança
7 passos para contratar melhor
- Clareza estratégica da vaga
- Perfil objetivo (técnico, comportamento e contexto)
- Alinhamento cultural
- Processo seletivo estruturado
- Avaliação comportamental consistente
- Onboarding estratégico
- Liderança preparada
No fim, o diagnóstico é direto: contratar bem é uma decisão estratégica. “Empresa que trata recrutamento como operação, perde. Quem trata como estratégia, cresce e sustenta o crescimento”, conclui Mari Viana.
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