27 de novembro de 2025
Selic em queda: o que muda para o pequeno e médio empresário em 2026
Depois de um 2025 marcado pela manutenção das taxas de juros em níveis elevados, a economia brasileira se prepara para um novo ciclo. A previsão de início da queda da Selic em 2026 reacende o otimismo entre analistas, investidores e consumidores; mas o impacto desse movimento vai muito além das grandes corporações. Para pequenos e médios empresários, que representam o coração do empreendedorismo nacional, a virada promete ser decisiva.
Segundo Benito Pedro Vieira Santos, CEO da Avante Assessoria Empresarial, a redução da taxa básica de juros deve estimular o crédito, ampliar investimentos e melhorar o consumo das famílias. Mas, para esse segmento empresarial, o efeito vai depender diretamente do nível de organização e planejamento de cada negócio.
“O mercado fala muito sobre o impacto para a Bolsa, para as big techs, para grandes indústrias. Mas quem realmente sente essa virada no dia a dia é o pequeno e o médio empresário”, afirma Benito Pedro.
Crédito mais barato volta a impulsionar investimentos
Nos últimos anos, o custo do capital foi um dos principais obstáculos para os empreendedores. Taxas elevadas tornaram inviáveis projetos de expansão, modernização e aquisição de máquinas. Com a perspectiva de juros menores, o cenário começa a mudar.
“Quando a Selic cai, o crédito deixa de ser um inimigo e volta a ser uma ferramenta de crescimento. Projetos que estavam engavetados voltam a ser possíveis”, explica Benito.
Ainda de acordo com ele, bancos e fintechs tendem a ampliar suas linhas de financiamento, oferecendo condições mais competitivas e previsíveis para empresas que desejam crescer de forma planejada.
Consumo deve ganhar força e aliviar o caixa das empresas
A melhora na confiança do consumidor também deve repercutir diretamente no faturamento das pequenas operações, especialmente nos setores de varejo, serviços e alimentação.
“O brasileiro compra mais quando sente segurança, e juros mais baixos têm esse efeito psicológico. Isso melhora o fluxo de caixa das empresas e abre espaço para reorganizar finanças que estavam muito pressionadas”, diz Benito.
Com mais receita entrando, empresários terão maior capacidade de equilibrar contas, ajustar margens e até formar reservas.
Governança será o divisor de águas no novo ciclo
Apesar do cenário positivo, especialistas alertam que apenas reduzir juros não resolve problemas estruturais de gestão. Com o mercado mais aquecido, cresce também o interesse de fundos estruturados, investidores e instituições financeiras — todos exigindo maior transparência e controles mais robustos.
“Governança, organização financeira e disciplina de gestão deixaram de ser um luxo e passaram a ser uma necessidade. Quem não tiver método, controle e informação confiável não vai aproveitar esse ciclo”, afirma Benito.
Ele reforça que pequenas e médias empresas que investirem em orçamento, indicadores, processos e planejamento terão acesso mais fácil a crédito, melhores parceiros estratégicos e valorização no mercado.
O alerta: crescer sem estrutura pode gerar novos riscos
Embora a queda da Selic abra portas, a falta de preparo pode transformar oportunidade em ameaça. “Crescimento desordenado quebra empresa. A Selic mais baixa cria oportunidades, mas só prospera quem estiver estruturado para crescer. Crise não é para amadores”, enfatiza o CEO da Avante.
Para Benito Pedro Vieira Santos, o momento exige ação imediata: diagnosticar finanças, revisar processos, profissionalizar a gestão e construir um plano de crescimento que dialogue com o novo ciclo econômico.
“A virada está chegando, e o pequeno e médio empresário precisa estar pronto. Quem se preparar agora vai surfar o ciclo. Quem esperar, vai apenas assistir”, conclui.
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