16 de setembro de 2025
Demissões no Itaú Revelam Desafios do Home Office e Modelo Híbrido
Em 8 de setembro de 2025, o Itaú anunciou a demissão de cerca de mil funcionários, alegando baixa produtividade durante o regime de home office. A decisão foi baseada em seis meses de monitoramento digital da atividade dos colaboradores, incluindo métricas como uso de memória, cliques, abas abertas, tarefas no sistema e criação de chamados. Muitos funcionários não estavam cientes do nível de monitoramento, evidenciando a crescente vigilância tecnológica nas empresas, mesmo em modelos de trabalho remoto ou híbrido.
Home Office e Modelo Híbrido em Crise?
Durante a pandemia, o home office foi promovido como o futuro do trabalho, seguido pelo modelo híbrido. No entanto, muitas empresas estão exigindo o retorno ao trabalho totalmente presencial. No Brasil, observa-se um movimento crescente de retorno ao modelo presencial, mesmo entre empresas que adotaram o modelo híbrido. Apesar de desejado por muitos colaboradores, a prática do home office e do trabalho híbrido enfrenta desafios culturais, legais, estruturais e de produtividade.
Desafios na Implementação do Home Office e Trabalho Híbrido
Mourival Boaventura Ribeiro, sócio da Boaventura Ribeiro Advogados, destaca que “depois da pandemia, as empresas passaram do trabalho remoto para o híbrido, e agora precisam adaptar-se às novas regras legais”. Ele observa que a Lei nº 14.442/22, que regulamenta o trabalho híbrido e remoto, trouxe mudanças importantes, mas a adaptação tem sido lenta para muitas empresas.
Além da legislação, há desafios relacionados à infraestrutura e segurança da informação. Carol Lagoa, co-fundadora da Witec, alerta: “Quando um colaborador trabalha remotamente, a empresa precisa garantir que seu equipamento esteja protegido contra vírus e outros riscos. Caso contrário, o risco de ataques cibernéticos pode comprometer a segurança da companhia”.
Resistência e Reconfiguração da Gestão
Outro ponto sensível é a resistência de empregadores. Muitos líderes ainda não se sentem confortáveis em gerir equipes à distância, o que compromete engajamento e colaboração. Tatiana Gonçalves, CEO da Moema Medicina do Trabalho, ressalta que a escolha de quem pode adotar o modelo híbrido ou remoto deve ser avaliada pelos gestores diretos, levando em conta as condições de trabalho de cada colaborador. Ela também reforça a necessidade de atenção às Normas Regulamentadoras, como a NR 17 (ergonomia), além de laudos e programas de prevenção, que garantem segurança e reduzem riscos de doenças ocupacionais.
O Futuro: Equilíbrio ou Retrocesso?
O caso do Itaú mostra que o monitoramento da produtividade já é uma realidade e que o colaborador que não se adapta pode ser surpreendido por consequências severas. Por outro lado, revela que empresas ainda buscam o equilíbrio entre flexibilidade e resultados.
Apesar das dificuldades, home office e híbrido continuam no radar como alternativas para retenção de talentos e satisfação dos profissionais. Mas sua consolidação depende de uma equação complexa: adaptação legal, investimentos em infraestrutura, mudança cultural e clareza de expectativas entre empresas e colaboradores.
Em 2025, o futuro do trabalho está em aberto — e pode pender tanto para mais flexibilidade quanto para um retorno massivo ao presencial. O que já parece claro é que os modelos híbridos e remotos não sobrevivem sem responsabilidade, disciplina e alinhamento constante entre empregadores e empregados.
Relacionados